Quando pensamos em inovação na medicina, quase sempre imaginamos novos medicamentos, equipamentos de última geração ou cirurgias cada vez mais precisas. Mas, depois de participar do ISTH 2026, um dos maiores congressos mundiais sobre trombose e hemostasia, voltei com uma convicção diferente:
Talvez a maior inovação da saúde esteja na forma como conseguimos levar o conhecimento até as pessoas antes que a doença apareça.
Todos os dias, milhares de pesquisas são produzidas no mundo. Novas descobertas ampliam nosso entendimento sobre prevenção, diagnóstico e tratamento. Mas existe uma pergunta que merece tanta atenção quanto a própria ciência:
Como fazer esse conhecimento chegar à comunidade?
Foi justamente essa reflexão que motivou os dois trabalhos científicos que apresentei em Paris.
O primeiro mostrou como um projeto de conscientização desenvolvido em nossa região contribuiu para a criação de leis municipais voltadas à prevenção da trombose em Cocal do Sul e Morro da Fumaça. O segundo apresentou uma proposta inovadora de comunicação em saúde utilizando o Lyon, mascote do projeto Circulando Sempre, para aproximar a população de um tema que, muitas vezes, só recebe atenção quando a doença já está instalada.
Mais do que apresentar resultados, o objetivo foi compartilhar uma reflexão: a prevenção também precisa inovar na forma de se comunicar. Porque informação só produz impacto quando é compreendida.
Como angiologista, acompanho diariamente pessoas que convivem com doenças vasculares. Muitas delas poderiam ter reduzido seus riscos se tivessem recebido orientação no momento certo.
Essa realidade reforça uma convicção que carrego comigo há muitos anos: A prevenção começa muito antes do consultório. Ela começa quando alguém entende um fator de risco, reconhece um sinal de alerta ou decide mudar um hábito simples do dia a dia.
Não basta produzir conhecimento.
É preciso traduzi-lo, aproximá-lo das pessoas e transformá-lo em atitudes capazes de preservar vidas.
Talvez o maior avanço da medicina não seja apenas desenvolver novos tratamentos. Talvez seja conseguir fazer com que cada vez menos pessoas precisem deles. Porque a ciência alcança seu verdadeiro propósito quando deixa os congressos, atravessa as portas dos hospitais e chega, de forma clara, acessível e humana, à vida das pessoas.
E acredito que esse seja um dos maiores desafios — e também uma das maiores responsabilidades — da medicina contemporânea: transformar conhecimento em cuidado e prevenção em cultura.
Por Dra. Ana Nazário – Médica Angiologista e Ecografista Vascular – Idealizadora do projeto Circulando Sempre










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