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© Ana Paula Nesi
Política

Câmara de Cocal do Sul debate custo do gás natural e competitividade das indústrias

Presidente da SCGÁS apresentou aos vereadores como os preços são formados e explicou fatores que influenciam o valor pago pelas empresas

A preocupação com os custos do gás natural e os reflexos para a competitividade das empresas da região foi tema de uma reunião realizada na Câmara de Vereadores de Cocal do Sul com o presidente da SCGÁS, Otmar Josef Müller, na última segunda-feira (31).

O encontro foi promovido a partir de um convite dos vereadores e empresários Gilson Clemes (PL) e do presidente da Câmara Municipal, Vicervanio Bez Fontana, o Toco (MDB). O assunto ganha importância diante das preocupações do setor empresarial do Sul catarinense, especialmente entre indústrias que utilizam o gás natural em seus processos produtivos.

Durante a reunião, Otmar apresentou informações sobre a formação dos preços, comparativos com outras regiões do país e os fatores que influenciam o valor final pago pelos consumidores. “É importante trazer essas informações porque os vereadores podem ajudar a levar esse debate à sociedade e também cobrar soluções de quem tem responsabilidade sobre parte desses custos. Existe espaço para buscar condições ainda mais competitivas para o gás”, afirmou.

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Como o preço é formado

Segundo o presidente da SCGÁS, cerca de 90% do gás consumido em Santa Catarina vem da produção brasileira, principalmente do pré-sal, enquanto aproximadamente 10% são provenientes da Bolívia.

O valor final envolve o custo de produção, o transporte pelos grandes gasodutos e a distribuição até os consumidores. A distância também influencia, já que Santa Catarina está mais distante das áreas de produção.

Otmar defendeu que existe espaço para discutir a forma como parte desses valores é definida, especialmente porque o gás é produzido no Brasil e grande parte dos custos envolvidos na operação é paga em reais. “O gás é explorado aqui e os custos da Petrobras, como salários, manutenção e serviços, são em reais. Por isso, entendemos que existe espaço para discutir modelos que não deixem todo o preço indexado ao dólar e às referências internacionais”, explicou.

Comparação com São Paulo

Outro ponto abordado foi a comparação com São Paulo, um dos principais concorrentes das indústrias catarinenses. Apesar das diferenças na logística e no tamanho do mercado, Otmar afirmou que os preços praticados em Santa Catarina estão, na média, equilibrados com os do estado paulista.

São Paulo distribui cerca de 12 milhões de metros cúbicos de gás por dia, enquanto Santa Catarina trabalha atualmente com aproximadamente 1,6 milhão. O maior volume permite uma melhor divisão dos custos de distribuição. “A SCGÁS não tem o preço mais caro, como muitas vezes se fala. O custo do gás é importante para a indústria, mas não podemos dizer que ele, sozinho, determina a decisão de uma empresa sair ou vir para Santa Catarina”, ressaltou.

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O presidente também destacou que a redução no consumo nos últimos anos trouxe novos desafios. Em 2021, Santa Catarina chegou a comercializar cerca de 2,5 milhões de metros cúbicos por dia, volume que atualmente está próximo de 1,6 milhão.

A redução no consumo acaba afetando a estrutura de distribuição, já que parte dos custos da SCGÁS continua existindo independentemente da quantidade de gás vendida. “O custo fixo da empresa continua praticamente o mesmo. Quando se distribui menos volume, isso também acaba prejudicando a competitividade”, explicou.

Para Otmar, o desafio é continuar buscando alternativas para ampliar o consumo, melhorar a competitividade e reduzir os custos sempre que houver possibilidade.

Empresas, empregos e desenvolvimento

Para o vereador Gilson Clemes, discutir o custo do gás é também discutir a competitividade das empresas e a manutenção dos empregos na região. “Quando uma indústria consegue reduzir seus custos e ampliar sua competitividade, ela tem mais capacidade de investir, produzir e gerar empregos. Precisamos buscar caminhos para que as empresas do Sul tenham condições cada vez mais competitivas e justas”, afirmou.

O presidente da Câmara, Toco, destacou a importância de aproximar o Legislativo de debates que envolvem diretamente o desenvolvimento econômico da região. “Precisamos conhecer os números, entender como esses valores são formados e manter o diálogo com quem pode ajudar a buscar soluções. Defender nossas empresas é também defender empregos e o desenvolvimento de Cocal do Sul e de toda a Região Sul”, destacou.

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