A 30ª Sessão Ordinária da Câmara Municipal de Cocal do Sul foi realizada na noite de terça-feira, 25 de agosto. O vereador Julio Fogaça MDB) não compareceu à reunião. Na Tribuna Livre, cinco vereadores fizeram uso da tribuna para tratar de assuntos de interesse da comunidade. Confira os principais destaques de cada pronunciamento.
Chicão cobra avanços no IDEB e cita processo envolvendo prefeito em fala sobre fiscalização
O vereador Valdnei da Silva, o Chicão (PL), utilizou a tribuna para esclarecer manifestações da sessão anterior, principalmente sobre o IDEB. Ele afirmou que a queda do município para a décima colocação deve ser analisada e que o indicador, embora não seja o único parâmetro, precisa ser considerado na avaliação da educação. Citou o exemplo de Içara, que adotou uma política de reconhecimento aos profissionais da educação após resultado de destaque, através de um abono, e defendeu medidas de incentivo e valorização.
“Eu não quero comemorar uma nota baixa do esperado, comemorar a décima colocação, quero comemorar o primeiro lugar”, disse.
Chicão também rebateu a afirmação de que teria cobrado apenas a atual administração. Segundo ele, também cobrou a gestão anterior em áreas como saúde, SAMAE e obras e votou contra o aumento da COSIP, mesmo integrando a base governista. Afirmou que suas posições consideram o interesse da população.
Ao responder à fala que “para apontar alguma coisa é preciso estar com os dedos limpos”, declarou não ter conhecimento de processo ou condenação contra si e afirmou que atua para exercer o mandato e representar a população. Sobre o questionamento se enxergava irregularidades na atual gestão, afirmou: “Não tenho elementos para fazer essa afirmação e não vou fazer porque uma coisa é a fiscalização política e administrativa, outra coisa é a acusação jurídica.”
Na sequência, Chicão informou que soube, este mês, sobre um processo judicial, envolvendo o atual prefeito, relacionado à gestão municipal de 2017 a 2020, de uma investigação por suposta improbidade administrativa e questões relacionadas a um processo licitatório. Ressaltou que o processo é público e deve ser acompanhado com responsabilidade, sem antecipar culpa, e o mesmo deve ser feito em casos semelhantes. “Processo não significa condenação, e ninguém pode ser considerado culpado antes de uma decisão judicial definitiva.”
Por fim, afirmou que manterá a fiscalização sobre a atual administração e que reconhecerá ações que apresentarem resultados. Disse ainda que, diante de eventual irregularidade, cabe aos órgãos competentes investigar, sem perseguição e sem omissão.

Glícia defende análise do IDEB e ações para melhorar a educação
A vereadora Glícia Pagnan (MDB) abordou o resultado do IDEB e defendeu que o índice seja analisado como um instrumento para identificar dificuldades e orientar ações na educação. Ela explicou que o IDEB é medido a cada dois anos e defendeu que o resultado seja usado para orientar ações. Para ela, o momento exige reflexão e planejamento. A vereadora ressaltou que não considera adequado buscar culpados pelo desempenho registrado pelo município, mas compreender os fatores envolvidos e definir medidas que contribuam para a melhoria da aprendizagem.
Glícia destacou os desafios enfrentados pelos professores no cotidiano escolar. Para ela, uma educação de qualidade depende de diferentes fatores, como gestão, planejamento, infraestrutura, acompanhamento pedagógico, participação das famílias e políticas públicas. “O resultado do IDEB precisar servir como um alerta”. afirmou, destacando que o resultado deve servir para avaliar o cenário e identificar onde estão os principais desafios. “Olhar somente números, eu também não concordo. Eu acho que tem muita coisa que precisa ser olhada.”
Entre os questionamentos apresentados, ela citou quais ações o município pretende desenvolver após o resultado, se existe um diagnóstico das principais dificuldades dos estudantes, se há recuperação sendo planejada e como estão sendo acompanhados os alunos com maiores dificuldades. Também destacou a neurodivergência nas escolas e questionou como apoiar os professores.
Glícia afirmou que cobrar resultados exige também oferecer condições para que os profissionais possam desenvolver o trabalho. “A gente quer cobrar resultado, mas a gente precisa ser justo e ajudar.” Ao final, defendeu que o resultado não seja utilizado para apontar culpados, mas para mobilizar professores, gestores, famílias, poder público e comunidade em torno da educação, com acompanhamento das dificuldades e definição de estratégias. Para ela, Cocal do Sul pode avançar novamente, desde que o desempenho seja analisado de forma ampla e sejam adotadas medidas para enfrentar as dificuldades identificadas.

Dalló fala sobre resultados do IDEB e propõe criação do Conselho Municipal da Juventude
O vereador Marcelo Dalló (PP) iniciou a fala destacando a passagem da vice-prefeita Nega pelo comando do município por dez dias e a participação feminina na política local. Ele citou as três vereadoras da Câmara e destacou a presença feminina no Legislativo e no Executivo. Também convidou a população para a corrida rústica das APAEs da região, com mais de 200 atletas previstos e encerramento na Arena Multiuso durante a quarta-feira.
Sobre o IDEB, Marcelo comentou a iniciativa de oferecer incentivo aos profissionais da educação adotada pelo município de Içara e afirmou que o resultado é construído ao longo dos anos e não pode ser atribuído a uma única administração. “O IDEB não é de um ano que se faz um aluno saber ou não saber, ir bem ou não ir bem. O IDEB são anos e anos e anos.”
O vereador afirmou que a décima colocação de Cocal do Sul precisa ser analisada considerando diferentes fatores apresentados pela Secretaria de Educação. Entre eles, citou o aumento de alunos estrangeiros matriculados no município e o crescimento no número de crianças com transtornos. Segundo ele, essas mudanças exigem preparação das equipes escolares. “Claro, ninguém aqui é idiota de dizer que está contente do município estar no décimo lugar, mas tem uma série de coisas que a gente tem que analisar.”
Na sequência, Marcelo apresentou a indicação nº 114, que propõe a criação do Conselho Municipal da Juventude. Segundo ele, a iniciativa busca permitir que os próprios jovens participem da discussão e formulação de políticas públicas voltadas à educação, profissionalização, cultura, lazer e outras áreas. A proposta prevê representantes do poder público e da sociedade civil, incluindo grupos estudantis.
Marcelo afirmou que a criação do conselho foi uma proposta apresentada durante a campanha eleitoral e defendeu que o município ofereça espaços de participação e políticas públicas para os jovens, com o objetivo de contribuir para sua formação e para o futuro de Cocal do Sul.

Maria Luiza destaca acompanhamento do IDEB e comenta processo judicial envolvendo o prefeito
A vereadora Maria Luiza Da Rolt (PP) retomou o debate sobre o IDEB e afirmou que a equipe pedagógica da Secretaria de Educação já acompanhava fatores que poderiam influenciar o resultado desde o início da gestão. Segundo ela, conversas com diretores e professores indicavam que a nota poderia não manter ou elevar o desempenho anterior. Ela defendeu que o trabalho siga com acompanhamento dos estudantes em cada etapa e afirmou: “O foco agora é trabalhar firme, é trabalhar dentro de uma preparação mais assídua, comprometida, presencial e que acompanhe o aluno etapa por etapa.”
Maria Luiza avaliou que o município precisa avançar no indicador sem transformar o índice no único parâmetro para analisar a educação. Ao citar sua experiência de 15 anos como assessora, afirmou que o IDEB precisa ser analisado em um contexto mais amplo e criticou o tratamento dado à educação no país. Para ela, o país precisa priorizar a área e destacou que “o Brasil só vai mudar através da educação.”
A vereadora também comentou o processo judicial citado pelo vereador Chicão, relacionado a uma contratação realizada em 2020 e que envolve o prefeito Ademir Magagnin. Maria Luiza afirmou que acompanha processos envolvendo gestores públicos e defendeu que, havendo responsabilidade, deve haver consequência. No caso específico, porém, disse entender que a presença do prefeito na ação está relacionada à condição de ordenador de despesas e à autorização de empenho e pagamento, e não a eventual fraude.
Segundo ela, a leitura dos autos e das informações apresentadas na reportagem permite diferenciar a atuação do prefeito das condutas atribuídas a outras pessoas. “Então, se tivermos esse tipo de prova envolvendo o prefeito, que de fato a justiça seja feita.” Maria Luiza ressaltou ainda que é necessário conhecer o conteúdo dos processos antes de fazer afirmações públicas e colocou-se à disposição para esclarecer o caso a quem quiser se aprofundar nos autos.

Marcel destaca ações no Centro Dia e na educação e pede foco nas necessidades do município
O vereador Marcel Freitas (PSD) iniciou a fala destacando melhorias realizadas no Centro Dia do Idoso, como a instalação de um motor mais potente para o aquecimento da piscina, sistema de ozônio, melhorias nos banheiros, reforma da cancha de bocha, pintura e paisagismo. Também citou o projeto desenvolvido pelo CRAS para aproximar crianças, jovens e idosos por meio de atividades de convivência, lazer e aprendizado.
“Sabemos da importância que é cuidar dos nossos idosos, dessas pessoas que tanto fizeram por Cocal do Sul e merecem o nosso respeito.”
Sobre o IDEB, Marcel afirmou que a recuperação dos índices exige continuidade e pode ultrapassar o período de uma gestão. Ele defendeu a manutenção de ações e projetos voltados à educação e registrou a participação de Cocal do Sul na 12ª Feira Regional de Matemática, em Urussanga, com quatro projetos. Destacou o trabalho da Escola Cristo Rei, da professora Silvana Varenga e das alunas Vitória Medeiros e Maria Antônia Moreto, classificado para a Feira Catarinense de Matemática.
O vereador também parabenizou o Teatro Jonatas João pelos sete anos de atuação, celebrados com um jantar no último sábado (22), mencionando os alunos, responsáveis e apoiadores da instituição.
Na parte final, Marcel fez uma reflexão sobre os debates realizados na Câmara e defendeu que as discussões mantenham o foco nos problemas do município. Segundo ele, cobranças e críticas fazem parte do mandato, mas conflitos pessoais não contribuem para a população. “A população não quer saber de picuinhas, a população não quer saber de brigas nessa casa. Ela quer resultado.”
Marcel afirmou que, independentemente de situação ou oposição, os vereadores devem fiscalizar, cobrar melhorias e apresentar soluções. Disse ainda que a reflexão surgiu após conversar com pessoas que acompanham as sessões e que esperam dos parlamentares debates relacionados às necessidades de Cocal do Sul.

Confira a Sessão na Íntegra
A próxima Sessão Ordinária acontece na terça-feira, 1ª de setembro, às 19 horas. Siga a Câmara Cocal do Sul nas redes sociais e fique por dentro dos principais acontecimentos do Poder Legislativo: Instagram – Faceb
Por Ana Paula Nesi











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