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Dor na perna: por que esse sintoma não deve ser ignorado?

Nem toda dor é grave, mas algumas podem ser sinal de trombose ou alteração vascular. Entenda quando procurar avaliação.

Dor na perna é uma queixa comum. Pode aparecer depois de uma caminhada, de um treino, de uma viagem longa, de um esforço físico ou até mesmo sem motivo aparente.

Mas existe um ponto importante: dor na perna não deve ser simplesmente ignorada.

Nem toda dor é trombose. Nem toda dor é uma emergência vascular. Mas algumas dores podem ser o primeiro sinal de que algo na circulação não está bem — e, quando isso passa despercebido, o diagnóstico pode atrasar.

Como médica angiologista, sempre reforço que a dor precisa ser avaliada dentro de um contexto. Ela veio de repente? Está em uma perna só? Tem inchaço? A panturrilha está endurecida? A perna ficou quente, avermelhada ou diferente da outra? A dor começou depois de uma viagem, cirurgia, repouso prolongado ou uso de hormônios?

Essas perguntas fazem diferença.

Algumas dores podem ser musculares, como acontece em lesões após atividade física. Outras podem estar relacionadas às varizes, à má circulação, a alterações arteriais ou venosas. E algumas podem indicar quadros mais importantes, como uma trombose venosa ou uma emergência vascular.

Um exemplo conhecido é a chamada “síndrome da pedrada”, uma dor súbita na panturrilha, geralmente ligada a lesão muscular. O problema é que, em algumas situações, esse tipo de dor pode confundir o paciente — e até mesmo atrasar a investigação de uma trombose quando existem fatores de risco associados.

Por isso, a orientação é clara: dor persistente, dor forte ou dor acompanhada de inchaço precisa ser avaliada.

Também é importante lembrar que uma trombose pode deixar sequelas circulatórias, como sensação de peso, inchaço recorrente, desconforto e alterações na pele. Por isso, o diagnóstico e o tratamento no momento certo fazem tanta diferença.

O exame clínico e, quando necessário, o Doppler vascular ajudam a entender se a dor é muscular, venosa, arterial ou se há algum sinal de alerta na circulação.

A mensagem principal é simples: não é para viver com medo de toda dor na perna, mas também não é para normalizar um sintoma que pode estar avisando algo importante.

Cuidar da circulação é cuidar da vida.